O caminho entre a falta
de interesse do governo e da população
O conflito urbano entre os meios de
transporte tem levado a população a brigas sem fim durante anos. Eis que chegam
o discurso sustentável e a onda dos transportes não poluentes para o embate
ficar ainda mais interessante. As ciclovias e seus usuários; Pedestres e
ciclistas vivem em pé de guerra. Apesar desses grupos de cidadãos terem
opiniões parecidas em relação ao transporte urbano comum – leia-se o uso de
carros e ônibus – o compartilhamento de faixas como as da Lagoa e de toda a
orla do Rio de Janeiro, trazem problemas que políticos passados e candidatos
contemporâneos não buscam resolver. No programa de governo desses candidatos,
alguns nem citam o transporte alternativo individual. Ciclistas e pedestres são
vistos com “baixo potencial de voto” segundo Claudio da Silva Santos, presidente
da Federação de ciclismo do Rio de Janeiro:
- O Rio de Janeiro já está sendo
administrado de maneira superficial há anos. Não é só os candidatos de hoje. É
só olhar para a malha de ciclovias espalhadas pela cidade. Muito pouco. São
Paulo já é diferente, com um projeto inicial interessante em relação a isso.
Alguns candidatos interessados a
reeleição em São Paulo apostaram na criação de ciclovias interligadas para dar
vasão ao transito principalmente no centro. Na Avenida Paulista, o projeto que
deu mais notoriedade às mudanças, atingirá milhares de pessoas melhorando a
qualidade de vida de quem precisa circular na área. Até 2016, serão 400
quilômetros de ciclovia ao custo de 80 milhões de reais.
Em comparação ao Rio, onde não
existe projetos concretos, São Paulo está muito a frente. Mas se formos
comparar Brasil com Europa, vemos o quão atrasados somos em relação ao assunto.
A crise financeira internacional de 2008 que abalou os europeus, não pareceu desanimá-los
no desenvolvimento da região. Uma ciclovia gigante está sendo construída e
atravessará a Europa com 70 mil quilômetros de extensão. A data para conclusão
está para 2020. Um projeto tão longo assim não funcionaria em um país onde os
mandatos são de quatro anos.
- O interesse primordial dos
políticos do nosso país é trocar favores medíocres por cargos poderosos. Isso
vem lá de trás da nossa história. É dar quites de sobrevivência como cestas
básicas e dentaduras em vez de implementar projetos para a melhoria do país
como um todo. Tudo é feito pela metade. Diz Rafaella Rambaldi, estudante de
Comunicação Social da PUC-Rio, que odeia bicicletas, mas entende sua função.
Quem circula a pé, de skate ou
bicicleta pela cidade, tem o retrato do descaso do governo com o que é
considerado público. Num pequeno trecho de 5 quilômetros entre a Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, localizada na Gávea e a estação do
Cantagalo em Copacabana, os transeuntes se deparam com postes, pontos de ônibus
e até contêiner provisório da prefeitura instalados em cima das faixas compartilhadas.
Nesse caso, não existe nem discussão sobre o interesse no assunto. Se bairros
nobres da cidade mais cara do país estão assim, é de se imaginar como está a
situação na periferia e comunidades.
A falta de educação entre os
meios de transporte já é enraizada na população. Com a criação de novas
ciclovias em São Paulo, Houve quem disse que a cor (vermelha) das faixas eram
para a campanha política do Partido dos Trabalhadores. Protesto rapidamente
invalidado pelo uso de tal com em todas as ciclovias que estão ao redor do
mundo. Apesar da guerra instaurada, 80%
dos paulistanos aprovam as novas faixas para ciclistas. Segundo uma pesquisa
realizada pelo Datafolha.
São 32% da população de São Paulo
que possuem bicicleta em casa contra 77% que costumam andar de ônibus. De acordo
com Rafaella, que usa o transporte público do Rio de Janeiro, falta segurança
para trocar de vez o ônibus pelas bicicletas ou as caminhadas:
- É lógico que pessoas que moram
longe como na Baixada Fluminense ou em Niterói não vão fazer a troca, mas se os
que moram relativamente perto mudarem para um transporte que desafogue as vias,
os congestionamentos irão diminuir, a população terá mais qualidade de vida e
novas medidas poderão atender o clamor popular em relação às faixas compartilhadas.
Trata-se de um grande problema
que está longe do fim aqui no Rio de Janeiro. A importância em relação a
veículos alternativos ainda não é grande em nenhuma camada da sociedade
carioca. Prova disso está nas campanhas politicas, no desrespeito entre carros,
bicicletas e pedestres.
- Fico indignado com o que escuto
por aí. Pessoas que esperam pelo ônibus engarrafado em cima das ciclovias
reclamando das bicicletas, enquanto que somos nos ciclistas que contribuímos
para a diminuição dos congestionamentos e o esvaziamento dos ônibus. Acho que a
mudança inicial deve ser feita na educação, informando a população da
importância em procurar meios alternativos de locomoção.
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