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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O caminho entre a falta de interesse do governo e da população

    O conflito urbano entre os meios de transporte tem levado a população a brigas sem fim durante anos. Eis que chegam o discurso sustentável e a onda dos transportes não poluentes para o embate ficar ainda mais interessante. As ciclovias e seus usuários; Pedestres e ciclistas vivem em pé de guerra. Apesar desses grupos de cidadãos terem opiniões parecidas em relação ao transporte urbano comum – leia-se o uso de carros e ônibus – o compartilhamento de faixas como as da Lagoa e de toda a orla do Rio de Janeiro, trazem problemas que políticos passados e candidatos contemporâneos não buscam resolver. No programa de governo desses candidatos, alguns nem citam o transporte alternativo individual. Ciclistas e pedestres são vistos com “baixo potencial de voto” segundo Claudio da Silva Santos, presidente da Federação de ciclismo do Rio de Janeiro:
- O Rio de Janeiro já está sendo administrado de maneira superficial há anos. Não é só os candidatos de hoje. É só olhar para a malha de ciclovias espalhadas pela cidade. Muito pouco. São Paulo já é diferente, com um projeto inicial interessante em relação a isso.
Alguns candidatos interessados a reeleição em São Paulo apostaram na criação de ciclovias interligadas para dar vasão ao transito principalmente no centro. Na Avenida Paulista, o projeto que deu mais notoriedade às mudanças, atingirá milhares de pessoas melhorando a qualidade de vida de quem precisa circular na área. Até 2016, serão 400 quilômetros de ciclovia ao custo de 80 milhões de reais.
Em comparação ao Rio, onde não existe projetos concretos, São Paulo está muito a frente. Mas se formos comparar Brasil com Europa, vemos o quão atrasados somos em relação ao assunto. A crise financeira internacional de 2008 que abalou os europeus, não pareceu desanimá-los no desenvolvimento da região. Uma ciclovia gigante está sendo construída e atravessará a Europa com 70 mil quilômetros de extensão. A data para conclusão está para 2020. Um projeto tão longo assim não funcionaria em um país onde os mandatos são de quatro anos.
- O interesse primordial dos políticos do nosso país é trocar favores medíocres por cargos poderosos. Isso vem lá de trás da nossa história. É dar quites de sobrevivência como cestas básicas e dentaduras em vez de implementar projetos para a melhoria do país como um todo. Tudo é feito pela metade. Diz Rafaella Rambaldi, estudante de Comunicação Social da PUC-Rio, que odeia bicicletas, mas entende sua função.
Quem circula a pé, de skate ou bicicleta pela cidade, tem o retrato do descaso do governo com o que é considerado público. Num pequeno trecho de 5 quilômetros entre a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, localizada na Gávea e a estação do Cantagalo em Copacabana, os transeuntes se deparam com postes, pontos de ônibus e até contêiner provisório da prefeitura instalados em cima das faixas compartilhadas. Nesse caso, não existe nem discussão sobre o interesse no assunto. Se bairros nobres da cidade mais cara do país estão assim, é de se imaginar como está a situação na periferia e comunidades.
A falta de educação entre os meios de transporte já é enraizada na população. Com a criação de novas ciclovias em São Paulo, Houve quem disse que a cor (vermelha) das faixas eram para a campanha política do Partido dos Trabalhadores. Protesto rapidamente invalidado pelo uso de tal com em todas as ciclovias que estão ao redor do mundo.  Apesar da guerra instaurada, 80% dos paulistanos aprovam as novas faixas para ciclistas. Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha.
São 32% da população de São Paulo que possuem bicicleta em casa contra 77% que costumam andar de ônibus. De acordo com Rafaella, que usa o transporte público do Rio de Janeiro, falta segurança para trocar de vez o ônibus pelas bicicletas ou as caminhadas:
- É lógico que pessoas que moram longe como na Baixada Fluminense ou em Niterói não vão fazer a troca, mas se os que moram relativamente perto mudarem para um transporte que desafogue as vias, os congestionamentos irão diminuir, a população terá mais qualidade de vida e novas medidas poderão atender o clamor popular em relação às faixas  compartilhadas.
Trata-se de um grande problema que está longe do fim aqui no Rio de Janeiro. A importância em relação a veículos alternativos ainda não é grande em nenhuma camada da sociedade carioca. Prova disso está nas campanhas politicas, no desrespeito entre carros, bicicletas e pedestres.

- Fico indignado com o que escuto por aí. Pessoas que esperam pelo ônibus engarrafado em cima das ciclovias reclamando das bicicletas, enquanto que somos nos ciclistas que contribuímos para a diminuição dos congestionamentos e o esvaziamento dos ônibus. Acho que a mudança inicial deve ser feita na educação, informando a população da importância em procurar meios alternativos de locomoção.

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